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NOVO TROLLER T4 FICA MAIS MODERNO

Jipe cearense passa a contar com motor de 200 cv da Ranger. Com brecha na lei, entretanto, Ford não coloca airbags no modelo.

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Alguns dos mais tradicionais mercados automotivos possuem seus próprios jipes icônicos. Nos Estados Unidos, trilhas e caminhos difíceis logo são associados ao Jeep Wrangler. No Japão a mesma coisa acontece com o Suzuki Jimny, e na Inglaterra, o primeiro a ser lembrado é o Land Rover Defender, apesar de este estar prestes a ganhar aposentadoria.

As referências brasileiras nesse quesito foram por muito tempo o Toyota Bandeirante e o Jeep Willys. Porém, com o fim de ambos, o Troller T4 assumiu o posto de legítimo jipe brasileiro. Produzido desde 1997 e sob o comando da Ford a partir de 2007, o T4 acaba de ganhar uma nova geração, para continuar marcando território e tentando desbancar a concorrência importada por aqui.

As vendas começam em meados de agosto, por R$ 110.990. O T4 antigo custava R$ 96.844, porém, as unidades em estoque estão sendo comercializadas por R$ 90.900.

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Airbag? Nem opcional

O novo T4 será oferecido em versão única. Ela traz, de série, ar-condicionado digital de duas zonas, vidros, travas e retrovisores elétricos, direção hidráulica, teto solar duplo fixo, computador de bordo, rádio (convencional) com conexão USB e Bluetooth, bancos de couro, freios ABS off-road e coluna de direção com regulagem de altura. A lista fica devendo, entretanto, regulagem de altura nos bancos dianteiros e comandos de som no volante. Porém, a principal ausência impacta diretamente na segurança. Não há airbags, nem como opcionais.

O T4 se enquadra na categoria fora-de-estrada e, por isso, está dispensado de adotar as bolsas infláveis, segundo o artigo 4º da resolução 311 do Contran. Segundo André Lima, analista de marketing de produto da Troller, “o airbag não foi adotado porque, como a maior parte dos nossos clientes fazem trilhas pesadas, estão sujeitos a impactos constantes, o que poderia acionar as bolsas involuntariamente. Então não seria interessante colocar o item”, disse.
Apesar da justificativa, os principais concorrentes do T4 são equipados com airbags. É o caso do Suzuki Jimny e do Jeep Wrangler. A ausência do item, inclusive, é uma das causas da aposentadoria do Land Rover Defender.

O opção por não adicionar o equipamento de segurança no jipe também vai contra uma imagem que a Troller quer passar com o novo T4. Durante a apresentação, executivos da marca afirmaram que o objetivo também é atrair clientes que priorizam o uso rodoviário, e não costumam colocar o carro em terrenos acidentados. Porém, com a postura, a marca ainda agrada quem faz trilhas, mas terá que usar outros argumentos para quem não abre mão de segurança.

Mudança geral

Se o antigo T4 carecia de personalidade, todo o estilo da nova geração foi pensado para ter uma assinatura – no caso a letra T. Ela se faz presente já na moldura em plástico cinza brilhante da dianteira, que contorna os faróis e desce até a proteção frontal e na grade do radiador, em colmeia. Todo o conjunto forma a letra T. A letra também está nas lanternas, que ganharam lâmpadas de LED. O recorte vertical no canto é da luz de ré, enquanto o horizontal, que corta a peça ao meio é das setas.

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No interior, o salto de qualidade é facilmente percebido. Porém, não há luxo. O plástico do centro do painel é cinza e de bom toque. Porém, nas laterais e na parte superior o acabamento preto é duro e sem requinte. O interior é lavável, para facilitar a vida de quem pega trilhas com frequência. Nos mostradores e comandos, saem peças do Fiesta e entram as da Ranger, de visual mais agradável.

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O T4 teve um incremento considerável nas dimensões. O comprimento passou de 3,95 m para 4,10 m, a largura de 1,87 para 1,97 m e a altura de 1,95 para 1,97 m. Na cabine, o entre-eixos ganhou 18 cm, passando de acanhados 2,41 m para 2,59 m. Assim, o espaço para as pernas melhorou para os quatro ocupantes. O que continua difícil é o acesso ao banco traseiro. O mecanismo de rebatimento dos bancos dianteiros é duro e complicado de operar.

Mesmo com grandes mudanças, a essência foi mantida. Apesar de confusa, a proposta faz todo sentido. O jipe ganhou a modernidade que carecia, mas não deixou de oferecer o que o Trolleiro – nome pelo qual os apreciadores do modelo são conhecidos – mais deseja: um conjunto mecânico robusto.

Para empurrar os 2.140 kg, sai o antigo motor MWM 3.2 quatro cilindros de 165 cavalos e entra o conjunto mecânico da Ranger. O motor é o 5 cilindros 3.2 turbodiesel de 200 cv e 47,9 kgfm de torque. Já a transmissão utiliza a caixa manual de seis marchas, também proveniente da picape. A tração pode ser nas duas traseiras, 4×4 e 4×4 reduzida. A escolha é feita por meio de um seletor no painel. Para ativar a tração nas quatro rodas o carro pode estar a até 120 km/h. Da 4×4 para a reduzida o carro deve estar parado.

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Para produzir o novo T4, a fábrica de Horizonte passou por uma remodelação. A área construída aumentou de 15 mil m² para 21 mil m², ganhando novo maquinário e novas pistas de teste. Também foi adotado o sistema de produção chamado de SMC, no qual as placas de fibra de vidro são moldadas a quente por prensas industriais. Antes o processo era totalmente artesanal. Com a mudança, a capacidade produtiva aumentou, reduzindo os custos.

Ao volante

No primeiro contato com o novo T4, o G1 percorreu um pequeno trecho de pouco menos de 10 km, sendo que 3 km eram de uma trilha leve e aproximadamente 6 km de asfalto liso.

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Apesar do pouco tempo com o veículo, é possível perceber a grande evolução, apesar de alguns deslizes. A alavanca de câmbio ficou mais curta, em uma posição que exige mais esforço do motorista para realizar as trocas, que, por sinal, não são tão precisas.

Apesar da “derrapada” no câmbio, o conjunto da Ranger fez bem ao T4. A vibração e o ruído caíram consideravelmente, sendo possível até apreciar a trilha sonora do rádio. Na estrada de terra, sem grandes dificuldades, o T4 mostrou que não é apenas um “rostinho bonito”. A robustez fica evidente quando a reduzida é engatada, mas cobra seu preço em rigidez torcional. É impossível não sacolejar dentro do veículo.

No asfalto, a rotação do motor sobe rapidamente nas primeiras marchas, mostrando um câmbio de relações curtas. Mérito para a caixa de seis marchas, que faz com que a primeira seja utilizada praticamente apenas para colocar o jipe em movimento.

Acessórios

Paralelamente ao desenvolvimento da nova geração do T4, a Troller criou uma linha de acessórios para o jipe. São 130 itens dos mais variados tipos, como pneus de uso misto (ATR) ou lameiros (mud), snorkel, bagageiro, soleiras, guinchos e protetores, para cárter, câmbio, escapamento, caixa de transferência e tanque de combustível. Assim como o valor do veículo, o preço dos opcionais também não foi divulgado.

Conclusão

Os concorrentes do T4 estão em faixas distintas de preço. Por R$ 64.990, o Suzuki Jimny é a opção mais em conta para quem deseja um carro com vocação off-road. Menor, o jipe de origem japonesa, mas produzido em Itumbiara, se destaca pelo conjunto mecânico. O moderno motor 1.3 de 85 cv a gasolina é feito de alumínio, e dá conta, com sobras, do jipinho de 1.060 kg. O câmbio é manual de cinco marchas. A tração pode ser selecionada por um botão no painel, com possibilidade de escolha entre as rodas traseiras, 4×4 ou 4×4 reduzida. A vantagem em relação ao T4, além do preço, é contar com airbags. Porém, o Suzuki perde em espaço interno e equipamentos.

No andar de cima, há o Jeep Wrangler, antiga inspiração do T4. Importado dos EUA, o Wrangler Sport, na versão duas portas, que mais se assemelha ao T4, custa R$ 154.900. Ela traz motor V6 3.6 a gasolina, de 284 cv e 35,4 kgfm de torque e câmbio automático de cinco marchas, razões que adeptos de off-road podem torcer o nariz. Porém, também é inquestionável a capacidade de superar obstáculos do Wrangler. A seleção de tração, entre 4×2, 4×4 ou 4×4 reduzida é feita por meio de uma alavanca.

Apesar de quase R$ 45 mil mais caro, o Wrangler supera o jipe cearense em diversos aspectos, a começar pela cabine mais luxuosa, com mais equipamentos de série e principalmente, mais equipamentos de segurança. Há, além de airbags, controles de tração, estabilidade e anticapotamento, todos ausentes no T4. No conforto, o Wrangler possui teto solar duplo removível, piloto automático, banco do motorista com regulagem de altura e volante revestido em couro.

Com tantas mudanças de uma geração para outra, o T4 melhorou (muito), em aspectos como suavidade ao rodar, ruído interno e acabamento, além do visual, que agora tem personalidade própria. Porém, ainda há espaço para evolução. A principal delas passa pela adoção dos airbags. Sem rivais próximos em preço, o T4 ainda agrada aos “Trolleiros”, e, com rodar mais suave, pode atrair também quem busca um veículo robusto para levar o casal para a fazenda. Se a exigência for mais espaço e luxo, vá de Wrangler. Se o orçamento estiver apertado, o Jimny é uma boa opção.

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